A Girafa de pelúcia caiu no chão e assistiu à cena.
Havia uma cama box não sei de que tamanho, não tive a audácia de prestar atenção ao tamanho dela, apenas percebi que me cabia. Havia eu, um pouco cansado da praia e com o coração batendo como nunca. Havia ela, silenciosa, ferina e cruel. Como a mulher do poema.
Eu não conseguia prestar atenção no beijo e na pulsação de nossos quadris ao mesmo tempo. Por vezes esquecia do beijo para me concentrar na pulsação e minha boca ficava estática, enquanto a dela se movia feroz, porém, calmamente. Quando me concentrava no beijo, lembrava que a pulsação era mais rara que os beijos e então voltava à ela.
"Era assim que você queria que eu te escondesse do mundo entre os meus cabelos?"
Eu respondi com batidas de coração, pelo que me lembro.
A girafa de pelúcia, caída no chão. Meus tênis velhos e maltratados também estavam caídos no chão. Assim como outras coisas que repousavam na cama quieta e pacata até a minha chegada.
Por um momento, percebemos a beleza do minuto e apenas apreciamos o quão lindos somos quando juntos. Depois, voltamos à natureza do momento.
Ela e eu, dispostos numa cama bagunçada no décimo quinto andar de um prédio da cidade. A vida tinha que ser isso todos os dias. O resto eu poderia jogar fora.